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terça-feira, 20 de julho de 2010

Um gigante em fase de crescimento


Em 2009, a Petrobras tornou-se a quarta maior empresa das américas. sua receita equivale a 6,5% do PIB brasileiro. e ela não para de crescer. Isso é bom ou ruim?

                                                                                                                 GERMANO LÜDERS
                                                        Construção de navio no estaleiro de Mauá, no Rio de Janeiro: o valor de mercado da                                                     Petrobras dobrou em 2009 graças às descobertas do pré-sal

Entre as 500 maiores empresas do Brasil, nenhuma se compara em dimensão à Petrobras, estatal do petróleo que lidera a lista de MELHORES E MAIORES há 37 anos. Nessas quase quatro décadas, o capitalismo brasileiro sofreu profundas transformações. Empresas foram criadas. Outras desapareceram. Setores inteiros ganharam importância. Ou minguaram. Fusões, aquisições e divisões mudaram a configuração dos negócios. Ainda assim, a Petrobras conseguiu aumentar sua atuação, sua abrangência e seu poder na economia brasileira. De qualquer ângulo que se olhe, a empresa é superlativa. Seu faturamento, de 103 bilhões de dólares em 2009, corresponde a 10% das vendas totais das 500 maiores companhias brasileiras.
Em 1974, primeiro ano de publicação de MELHORES E MAIORES, essa participação era de 5%. Sozinha, a Petrobras representa 6,5% do PIB brasileiro. Trata-se de uma fatia astronômica, algo que só encontra paralelo em países - desenvolvidos ou não - que possuem grandes companhias petroleiras. Em tempos de busca de novas fontes de energia, o petróleo ainda ocupa um espaço desproporcional na economia. A exceção são os Estados Unidos. A Exxon Mobil é a segunda maior corporação americana, segundo a revista Fortune. Em 2009, ficou muitos bilhões de dólares em faturamento abaixo da líder, a rede varejista Walmart, cujas vendas - de 408 bilhões de dólares - representaram 2,9% do PIB da principal economia mundial. No Reino Unido, a BP, recente protagonista de um dos maiores desastres ambientais da história, impera. Seu faturamento corresponde a 11% de tudo o que o país produz. Na França, a participação do grupo de energia Total na economia é de 6%.
O gigantismo da Petrobras tem dois efeitos diretos sobre as finanças do Estado brasileiro, seu controlador e maior acionista. Nenhuma empresa paga tanto em impostos. Foram mais de 24 bilhões de dólares no ano passado. Outros 2,7 bilhões de dólares foram pagos sob a forma de dividendos. Em tese, quanto mais a Petrobras cresce, mais o Estado enriquece. Isso explica, em grande medida, a euforia em torno das recentes descobertas de petróleo na área do pré-sal. A perspectiva de fornecer mais petróleo a um mundo sedento de energia fez com que o preço das ações da companhia disparasse em 2009. Segundo a consultoria Economática, a Petrobras passou a ser a quarta maior empresa em valor de mercado das Américas, atrás apenas de Exxon Mobil, Microsoft e Walmart. O governo brasileiro e os executivos da estatal sabem que, mais cedo ou mais tarde, as expectativas terão de se transformar em realidade. O petróleo terá de ser extraído das profundezas do oceano, uma empreitada que, segundo os cálculos da própria Petrobras, deve consumir mais de 100 bilhões de dólares em investimentos até 2020. Trata-se do maior investimento a ser feito pelas petroleiras em operação. Uma quantidade de dinheiro que nem mesmo um gigante como esse é capaz de suprir sozinho. Daí a enorme ansiedade em torno do projeto de capitalização da empresa, programado para setembro.
Diante de tudo isso, fica a pergunta: a Petrobras crescerá no ritmo em que o Brasil se tornar uma economia mais forte, com companhias de setores diversos maiores e mais eficientes? Ou teremos apenas uma gigante da qual nos orgulhar? A resposta a essa questão é de vital importância para o futuro do capitalismo brasileiro.

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